Poesias Publicadas

"O primeiro anel", 1996 (texto integral)

INFINITO

Quero dizer o poema azul com palavras outras
amarelas de letras verdes sobre papéis
transparentes sobre o pano branco da mesa
de jogo sobre o ser todo um ser o todo
muitos outros nada também por dentro
como por fora o ser estar aqui
em todos os mundos lugares outros
entrando saindo em todas as direções
para lugares comuns nenhum nenhures
dizer que direi dirás dirão os outros
sobre quem diz não diz o que diremos
deles quem sabe o que sabe pergunta
o que quer saber se ouve fecha os ouvidos
ao som ao silêncio absoluto aos outros
silêncios menores maiores
dizer com vozes humanas sobre-humanas
vivas mortas de todos os tempos
do infinito dos outros tempos que foram
dizer-me a mim de mim mesmo dos outros
a todos dizê-los de si de mim do mundo
largo estreito dos outros sem fim


PASSEIO II

Andar simplesmente, pela rua,
com cada prazer possível em teu rosto
a florescer como um sorriso.
E a cada esquina sonhar a rua
seguinte, e pressentir o vulto
do desejo de encontrar alguém.
Parar de repente, para brincar
de ser feliz com as crianças,
Com toda a reverência que merecem.
Voltar sobre teus passos
e apagá-los com cuidado suficiente
para que não te sigam teus receios.
Arrancar teus trilhos que definem
um destino, esquecer de vez
teu endereço: vagar somente.
Deixar por um instante teu rumo
certo, teu bairro, a cidade
e o universo com suas leis eternas.

— Porque tu, tu não és eterno!


PASSEIO III

Meu olhar passeia, em busca do belo,
sob as lâmpadas da grande avenida,
por sobre o grande mundo estranho em volta.
E seria igual em qualquer cidade.

Meu olhar vagabundo, como é próprio
de olhares e pensamentos, procura
um belo rosto, onde pousar sua sede.

É quando um deus-palhaço me pergunta
que coisa é o belo que ali me atrai;
onde a promessa de felicidade
está escrita em letras misteriosas?

Meu olhar espreita, atento ao que passa
em torno: edifícios, gente e montanhas.
Em toda parte algo me mostra o ser,
e não tenho jamais as mãos vazias.


CIDADEZINHAS

Mosaicos de verde e telhados
O vento anima a dança sensual
dos eucaliptos
A chuva faz tudo parecer de vidro
O sol espanta o povo e empresta
vida às pedras do calçamento
À noite, o som dos bichos acende
medos desejos e lâmpadas
fluorescentes
O tempo faz crescerem e leva
embora as crianças
Os homens procuram o lugar certo
de plantarem outra cidadezinha


* * *

É quando você já não sabe
se é o braço dela que é bonito,
ou se é o modo como ela pousa o dito
no seu braço, é que a palavra cabe:
— paixão!

Quando você não sabe se gosta
mais de apertar contra o peito
o seu corpo, ou somente admirar o jeito
como ela dorme, está dada a resposta:
— paixão!

E quando você então hesita
em dizer se prefere beijá-la
sem parar, ou embriagar-se com a fala
mansa de seus lábios, admita:
— paixão!


GÊMEOS

I.
Não te esqueço, nem te espero.
Diz-me a voz da experiência
que a saudade é conseqüência
do querer, se este é sincero.
Não te espero, nem te esqueço.
Apenas, com paciência,
aprendo a amar tua ausência
pra merecer teu regresso.

II.
Aguardo, com toda a paciência
de quem sabe ser justo o preço
de tua doce e dorida ausência:
o claro instante do regresso.
Espero surgir, sob o espesso
véu do que é somente aparência,
o que desejo, e o que mereço:
de ti o amor, dos céus clemência.


MEIO-DIA

Sol a pino
Olhar fixo no prato
Está sentado o homem
Imerso no burburinho
De um restaurante qualquer

Há centenas de coisas
A serem feitas à tarde
E as que não foram de manhã
Tão estranho pedir-lhe
Que saboreie o almoço

Ativo burguês
Corre em torno de si
E corre em busca do quê?
Azeite nas juntas
Energia e decisão

— A conta, por favor!


* * *

Um dia de outono escuro e molhado
Enchentes em todo interior do estado
No abrigo-ilha, em ansiosa espera
Pelo ônibus, a gente se aglomera

— Lá vem ele! e posso ouvir com clareza
O suspiro inundado de tristeza
Único som na multidão inteira
(É que este ônibus vai para Cidreira )


O CASACO

Desamparado um instante me achei:
foi quando me ocorreu estar usando,
qual couraça, aquele casaco velho
que pertencera a meu finado avô.

E as histórias que ele não teve tempo
de me contar ali estavam, no forro
gasto, à espera do momento certo
de tornarem a acontecer comigo.

Nos bolsos, entre as lembranças
de viagens, procuro nossos cigarros:
na fumaça deles procuro ainda
o cheiro do avô em nosso casaco.

Bom tempo em que se podia comprar
roupa que nosso neto iria usar
um dia, envolto em nuvem de fumaça
que bem podia ser também nossa alma.


SONETO XIV

Retorno de teus braços para a rua
como de um país distante, tomado
à força, volta abatido o soldado:
foi-se a luta, e já não estás nua.

Retorno ao mundo estranho, e o sol alto
quer-me dizer algo do tempo, horas
que eram tuas, de outras tantas auroras.
Do calor da cama, diz-me o asfalto.

Sei que ando com destino certo, e salto
com prudência a poça d`água, embora
bem no fundo saiba que há algo errado.

Se pensar um pouco, talvez conclua
ser somente o sonho de um anjo às duas
da tarde: não fui do céu derrubado?


SONETO XV

Como o fruto maduro que cai, por fim
disseste hoje o indiscutível “não”
que eu temia entrever em cada ação
tua que julgava contar ainda um “sim”.

E embora neste instante falte o chão
sob meus pés, penso que assim
mesmo é um grande alívio para mim
saber a hora certa de soltar tua mão.

Porque é melhor saber que o rim
já não funciona, do que julgá-lo são
até morrer abraçado à garrafa de gim.

Para que eu possa semear um grão
da alegria que colhemos, é que vim
buscar tua palavra. Não foi em vão.


* * *

Escuto estalar um galho
Faço falar uma pedra
Amo amolar uma faca
Vejo velejar um barco
Quero quebrar a louça
Procuro provar de tudo
Consigo conter o pranto
Desejo deter o mal
Espero esquecer as misérias
Recuso repartir teu corpo
Posso possuir meus defeitos
Almejo alcançar teu amor
Preciso prevenir as pessoas
Devo debater as idéias
Tenciono tentar muitas vezes
Decido declarar o que penso
Penso pendurar as chuteiras
Conto conseguir qualquer coisa
Pretendo prever os teus sonhos
Continuo confiando em mim mesmo
Confesso continuar um tolo


* * *

Ando por uma rua
rua qualquer sem fim
numa cidade estranha
não sei para onde vai
não sei que horas são

Ando por entre as pessoas
muitas e desconhecidas
sem olhos sem guarda-chuva
sem pensamentos sem medos
sem bolsos

Um dia qualquer do ano
um pouco mais frio ou quente
do que os outros

Há tempo que eu ando
até doerem meus pés
e eu esquecer que ando
até que aos poucos surja
um vago vulto ao longe
somente mais um outro

Somente mais um
mas o que procuro
— eu mesmo!


* * *

Desgraça pouca
é bobagem
A chuva é pouca?
Estiagem
Pelo céu da boca
uma viagem
Uma tesão louca
dá sacanagem
Se a voz é rouca
é selvagem
A realidade louca
da imagem
A grana é pouca
prá vadiagem
A vida é pouca?
Coragem!


* * *

ESPERA III

Virás com a primavera, é certo:
o vento — outra vez criança
— te anuncia sem pudor pela rua,
soprando a brasa que anuncia chama.
O vento te chama!

Virás, já sabem todos decerto,
porque riem — outra vez crianças
— comigo nas ruas, sem vergonha.
O vento é meu parceiro na espera.
A gente espera...

(ansiosamente)

... para desarrumar teu cabelo,
arrepiar tua pele,
e soprar segredos em teu ouvido.


REQUIEM IV

para Ulysses Guimarães

Morresse hoje, e seria
santo e sábio e bom
e forte como só aqueles
— os que se foram — é que sabem
ser, agora que não são mais.
Morresse hoje eu, e sobre
a tumba em abundância correriam
lágrimas de quem me desprezava.
(e para que correriam hoje,
lágrimas que em vão tentei
arrancar com versos, cartas,
promessas, súplicas e ameaças
de strip-tease?)
Morresse hoje eu, de repente,
e afinal saberiam todos
que me amavam, e eram todos
por mim amados: de um só golpe
saberiam todos, com certeza.

Nuvens que pairavam entre nós
se desfariam, e tudo
estaria claro.
Agora saberiam, e agora
seria como sempre havia sido,
exceto por uma coisa:
seria tarde.
Morresse hoje eu, e encontrasses
tu, meu amigo, em minha estante,
estes versos cheios de presságio
e julgarias enfim
que me compreendes, agora sim;
que sou sublime, agora que,
de fato, já nada sou.
(Mas teria valido a pena,
ao menos, o tempo gasto
em escrevê-los...)

Morresse hoje, e os demais
habitantes do planeta,
esses bilhões de seres estranhos
(para não falar das pedras
do calçamento e do restante
do universo) nada sentiriam.
Isto é o que no fim das contas me consolará.


NOTURNO II

Nasci, eu sei, foi para arder
no fogo da paixão, trilhar
caminhos de dor ou prazer:
brilha como estrela, no céu
da memória, cada momento.

A morte em meu coração
faz nascer o novo sonho
que irei habitar.

Sei que há coisas reais,
milagres da natureza:
é que só me satisfaz
a fusão de olhares.

Criador e criatura,
condenado a existir
duvidando do que vejo,
e crendo no que desejo.


* * *

Parece que enfim cresci,
E estou aí, pelo mundo.
De onde eu vim, esqueci:
Falta-me o pano de fundo.

Parece que agora sou
Adulto, e fechei a porta
Que achei para entrar. Não vou
Lamentar a noiva morta.

Parece que tento, agora,
Fazer algo importante:
Seguir pelo mundo afora
O que me surgir adiante.


AUTO-RETRATO

Poeta: um inconformado
até com as pequenas coisas.
Um que descobriu, de repente,
que sua habilidade absoluta com o idioma
era absolutamente inútil em momentos decisivos.

Desde então,
acaricia este sentimento absoluto de impotência,
enquanto as palavras brincam
em absoluta liberdade
ao seu redor.


SONETO XVI

A criança que olha a chuva não pensa em nada;
e os pássaros não sabem que vão migrar;
nem sabem se é o lume da madrugada,
ou se é o final da tarde que os faz cantar.

Buscamos no futuro o que não sabemos
encontrar dentro de nós, por culpa e temor
de Deus, de Jesus Cristo Nosso Senhor
que nos dará na morte tudo o que merecemos.

E enquanto a vida passa, ao nosso lado,
deixamos de notar a gente que há
em volta, as manhãs e o sol, que estará

mais velho daqui a pouco. E mais delicado
o traço do destino da humanidade.
E mais belo a cada dia o que for verdade.


GRAFFITTI III

Noite fria
noite escura
mas minhalma
tem crianças
debruçadas
curiosas
nas janelas


BALADA II

Brame em meu peito imenso mar,
mesmo mar frio que há milênios atormenta
as pedras da velha Albion.
E mais os olhos de uma criança morta
que me deu para cuidar Cecília Meireles.
E mais que outras forças insondáveis me impelem
a sentar, fitando em pânico a folha branca
na ânsia eterna de enchê-la de coisas de todo o tipo?
Quem me dita este destino?!
Ah, fosse dado a mim o verbo e a graça para tanto!
Que coisas terríveis e belas,
que tragédias, que novelas escreveria?
Um longo uivo onde estivessem vivos
a carne e o sangue de mil cadáveres
da Bósnia Etiópia África do Sul Baixada Fluminense
— só para ficar nos ainda quentes.

E se Virgílio me guiasse pela mão,
ou ao menos Raul Seixas me emprestasse um mapa
desse inferno do poder, através de todos os círculos
desde Wall Street até a Favela da Rocinha...
Que bíblias, que talmudes escreveria com estas coisas
que passo a vida tentando esquecer,
meu terceiro mundo, e último,
por todos os séculos, amém.
Que odisseias de homens em farrapos
morrendo de fome à beira das estradas
que cortam campos ricamente lavrados por máquinas,
onde passam automóveis importados levando gente
que não pode olhar porque não pode ver
porque precisa esquecer que não pode fazer
nada ou o suficiente - ou seja, nada,
exceto esquecer.
Sim, eu me devotaria inteiramente a esse destino,
e me trancaria em meu apartamento pobre
mas decente — ou quase,
com meus discos de boa música
e meus livros de boa literatura,
uma montanha de papel,
e trezentas e dezoito garrafas de bom uísque.

E escreveria...
Escreveria até me sangrarem os dedos,
até meus cotovelos se gastarem,
até tirar de mim todo este peso,
acumulado por séculos de civilização
cobiça morte fome guerra crimes sofrimento
preconceito injustiças pequenas e grandes
miséria e limitação do homem e seus deuses.
Então...
só então,
poderia em paz escrever
sobre o mar bramindo nas pedras alvas do Mar do Norte,
os doces olhos da poetisa;
sobre meu pai, que me ensinou a ouvir música;
meus sonhos de criança, meus bons amigos,
corpo e alma da mulher que amo,
e outras amenidades que insisto em manter vivas
contra todas as possibilidades.


* * *

Labirintos de mim
— Fosse eu o herói épico
desta era de fome e migração,
não seriam tão complicados...
— só mesmo eu posso achar saída.

Nada são amigos compassivos.
Nada são ofertas da fé por atacado.
Nada são amores de mãe e outras mulheres.
Nada são receitas de bolo.

Porém me canso às vezes desta autonomia,
e qualquer calor humano serve.

Mas dizê-lo assim, cruamente,
a alguém? Qual?!

Quem gostará de ser tomado por
“qualquer um serve”?

Quem, dentre essa multidão onde cada um
se crê, como eu, o único?


* * *

Tive um sonho, quando moço:
se perdeu.
Tive um grande amor, mais que tudo:
me deixou.
Tive um dia uma certeza:
se abalou.
Tive ainda um pesadelo, que por sorte
acabou.
Tive a chance de abandonar tudo:
me passou.
Tive uma vida regrada, de monge:
não me bastou.
Tive alento para recomeçar,
e agora vou
vivendo a cada dia a surpresa de saber
quem sou.


* * *

Queria ser mesmo
é designer de Deus,
da equipe de criação de gente
e coisas.

Que não ficariam tão perfeitas,
é certo,
mas sempre mais vivas e pulsantes
do que as velhas gastas palavras.


FLASH VI

Ando pela rua
Descansado
Os instintos dormem
Não preciso olhar
Ninguém nos olhos
Nem temer a morte
O contrato social
Me garante
— Até quando?


* * *

Não havia no dia um grito,
nem no grito lágrima ou dor;
nem soube encontrar o perito,
na lágrima, um gosto de flor.

A noite era rua deserta,
e a rua, estrada sem fim;
cada esquina, uma descoberta:
cheiro de vômito ou jasmim.

Não achei no dia o inferno,
nem, no inferno, meu doce amor;
nem sei dizer se é moderno
o estilo e a voz do cantor.

Habitavam a noite os sonhos,
e nos meus sonhos, um jardim;
na casa, fantasmas tristonhos
fugiam, com medo de mim.


* * *

Dá-me um certo gozo a verdade
de me saber insuficiente:
onde te achar nesta cidade?
(sexta-feira, tão inclemente...)

Sei que invejo aqueles que adoro,
porque chegaram onde eu quis
ir, e amiúde a mim eu deploro
pelo pouco esforço que fiz.

Busco então teus passos na treva,
desejo o sonho, e muito mais.
Cada pensamento me eleva
e alivia, quando é teu cais.

Logo, sei, verei que és somente
um ser humano, e é justamente
tua pequenez o mais profundo:
igual a mim, igual ao mundo.


* * *

A cidade é baixa,
mas sonhamos alto.
Trezentos quilômetros,
viajava eu,
pra sentar-me aqui
e ter a impressão
de que aconteciam
coisas ao redor.
No bar, é a regra,
acontece nada:
não antes das doze.

Mas sente-se aqui com a gente,
só por uns quarenta minutos:
vamos ver se você agüenta
ver a cidade passar pela
rua General Lima e Silva.


CINZAS

Não, por favor...!
Eu já não suporto ouvir música.
O trio elétrico desapareceu
no mar da manhã de cinzas.
Alguém me beijou afinal na praça
em frente ao cais, mas não há
mais redes ali como outrora,
nem coreto. Eu quis andar
na chuva até o horizonte, sumir,
virar farol na névoa.

O que sonhei não lembro...
Terei mesmo existido?
Brilhei acaso eu por um instante
com a intensidade deste desejo,
ou da luz particular em que vejo
banhar-se a imagem do teu sorriso?
Não, eu sei... eu não tenho,
nunca tive o direito de me queixar,
e isto é estar condenado
como qualquer outro.


AMÉRICA

No centro de teu corpo eu planto
o machado que sou eu mesmo,
e também imito a bandeira
do grande irmão do norte, aquela
das estrelas enfileiradas
como túmulos de soldados
entre listras de neve e sangue.

Favelas do Rio de Janeiro,
villa miseria en Argentina,
los cerros da bela Caracas
me hasteiam a mim, que nasci
pária, bastardo e delator;
coronel de terras e gente,
vendilhão de meu próprio cerne.

E mais venderia, se houvesse:
minh’alma, se acaso soubera
o que fosse ter uma em mim.
Tudo em troca de mais poder,
mais notas verdes, um mandato
de senador e mais coroas
sobre o túmuloem vez de pranto.

Nomes aos bois eu não darei,
que nos jornais do dia estão
impressos. Nem a deputados,
generais e poetas — Sim!
Também há poetas corruptos,
que inventam um mundo na tela
e o chamam de noticiário.


* * *

Ao largo, no horizonte, bela,
ostenta imaculada vela
a nave, como se levasse
o que sonhaste: quem te amasse.

Quem, embora nada soubesse
de ti, andava ao que parece
em teu encalço, pela estrada
de suave luar iluminada.

Trazia, sem embargo, a fronte
carregada de dor, e um monte
de perguntas que ao mar jogava
uma a uma, enquanto esperava:

se não seria tarde, agora;
ou quanto tempo o amor vigora?
Se pode o que arde ser falso;
ou ia um deus andar descalço?

Álvaro Santi
20/12/1996

 

 


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